quinta-feira, 24 de julho de 2008

O homem, a mulher e a amizade

Sou homem, sou viril, sou macho.
Sou mulher, sou frágil, sou sedutora.
A amizade é um encontro de alma
Que se reconhece na vivência dos valores
E das afinidades...
Nas verdades
E nos desamores...
Na turbulência e na calma,
na verdade encantada da luz que vem do facho.

A carne do homem vibra na carne da mulher.
Não de uma qualquer,
mas da que desperta a vibração.
A matéria, na separação entre a alma e a essência,
Atormenta a intersecção,.
A força motriz da amizade,
Uma conexão independente da idade,
Nasce sem explicação.
Porque o apoio no caminho
não nasce sozinho:
- Ele vem do lado cheio
Do vazio da solidão.

Se a pulsão,
Da carne ganha a sua dimensão,
Então, na carne está
O elo encontrado
Da razão que afasta
O poder da Amizade.

Mas o homem, tal como a mulher,
Nesta fantasia nefasta,
Pode desvelar a vontade
De ser iluminado
Pela paixão de viver.
E viver,
Mais não é do que reconhecer
Fugazes segundos que se ganham,
E que se guardam até perecer.
Preservar a essência do vento,
Agarrada nas folhas que se espalham...

Apagado o intenso sabor da paixão
Sobra a doce ligação do incenso.
A experiência aromática da vela
Perdura, como só ela, à transparência
trespassada pela ilusão.
Do coração nasce, enfim, a luz...
E apagamos a cruz
do ilusõrio fulgor de uma simples visão.

A amizade entre o homem e a mulher
Nasce, pois, quando ela quer.

Luca Santorini

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