quinta-feira, 24 de julho de 2008

Para o meu filho Luca

Ó criatura estranha
Que, vinda de mim, não és minha.
A ti te quero dizer, de teu nome Luca,
Que o sentir que agora sinto,
Sendo meu, é de uma entranha
O lugar que a ocupa...
Uma ternura que pressinto...
Uma ternura que é só minha.

Sem querer,
Sem nada fazer,
A tua luz ocupou a imensidão
Do lugar vago do meu coração.
O ventre que te criou
É o doce objecto da minha paixão.
E comigo vive, em mim é vida.
Deste ninho, que agora é teu,
E que, de partilha sentida,
Entrego a ti, deixando-o... da minha mão...
Dou-te parte do que eu sou.

Sem quereres, ó criatura nova,
És a fonte que dá vida.
A carne que renova
Os caminhos da minha aventura.
Esta aventura vivida
Que, por ti, é mais madura.
Contigo cresci sem saberes
Mas quero que saibas, por ti,
Que foste tu,
Quem me deixou nú...
Quem me descobriu a nuca,
E me fez ver
Que tudo o que até hoje vivi,
Todas as dores e todos os prazeres,
Foram o caminho para te saber.

Da origem do ser,
Da qual brotas agora,
Do alto do princípio de todo o conhecer,
Quero que vejas a hora
Em que te olhei,
Sem te ver...
Em que te vivi,
Sem te ter...
Em que te soube,
Sem te colher...

A Flor que te floriu
É a pétala que me guia,
E me faz vibrar,
Nesta energia
De amar
Quem nunca se ouviu.
A tua Mãe
é, também,
O amor que primeiro me viu!

Quando leres o que agora te escrevo,
Lembra-te apenas,
Com todo o teu calor,
Que tudo o que de aqui levo
É o amor...
O amor que, no meio das penas,
Descobri por entre a brisa da tua Mãe.
E da tua também...


Que sejas sempre livre e procures essa liberdade dentro de ti...


Luca Santorini

1 comentário:

Anónimo disse...

Es la cosa más linda y profunda que nunca lei de tus blog. Gracias amor por saber poner en palabras tus sentimientos y por compartirlos con todos. Vas a ser el mejor padre del mundo. ¡Te amo!